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Operação Pomar, aventura e radicalismo na Selva de Pedra
25/06/2008

No dia 08 de junho de 2008, um grupo de ciclistas de São Paulo foi sentir na pele, a sensação de termos uma ciclovia nas margens do Rio Pinheiros, dentro do Projeto Pomar.
Existe um projeto de uma ciclovia nas duas margens do rio, ligando o autódromo de Interlagos até a ponte do Jaguaré, totalizando 44 km de ciclovias, 22 em cada margem do Rio Pinheiros.
A idéia original seria nos encontrarmos na base do Projeto Pomar, junto à ponte João Dias, na margem oeste (lado da periferia) e pedalar até a Usina da Traição. Na usina, com a autorização da Emae, faríamos a travessia para o outro lado e seguiríamos pedalando pela pista ao lado da linha da CPTM até a Represa Billings, próximo ao Autódromo.
Infelizmente a autorização da travessia nos foi “NEGADA” por motivos de “segurança”. Tentamos por diversas vias essa autorização mas a resposta sempre foi a mesma. Essa má vontade só nos faz temer um “empacamento” da ciclovia por motivos fúteis ou ciumeiras administrativas, como é comum acontecer em nossa cidade.
Prevendo a má vontade da Emae, já havíamos preparado um plano B. Já que não poderemos atravessar pela usina, vamos usar a antiga ponte do Morumbi, que hoje se encontra desativada. A maior dificuldade é que quebraram algumas partes das pontes que a travessia não pudesse ser realizada por pessoas, portanto para vencer o rio seria necessário utilizar técnicas de escalada. Sem dúvida muito mais seguro do que fazer a travessia pela Usina da Traição, não é?

Com 60 metros de corda, mosquetões, cadeirinhas e diversos acessórios, 6 ciclistas partiram, para a expedição. Veja abaixo uma seqüência de imagens com detalhes dessa aventura surreal.

Saída da base do Projeto Pomar proximo da Ponte João Dias, pela margem Oeste (Lado da periferia)


Corda para contenção de lixo flutuante. Dinheiro jogado no lixo, aliás, jogado nas ruas da nossa cidade que tem como destino o gigantesco "pinico" de São Paulo, os Rios Tietê e Pinheiros.

Infelizmente não encontramos nenhuma capivara. Segundo os funcionários da Emae que encontramos no caminho, é comum elas aparecerem mortas, atropeladas pelos veículos de manutenção da Emae e da CPTM.


Segundo um gerente da Emurb, a opção pelos “estaios” se deu pois haveria um “menor impacto ambiental”. É o que dá para perceber pelas fotos, onde temos hoje esse terrão era o Pomar.

Como impacto ambiental é pouco, ainda tiraram uma parte do pomar para aumentar a via dos carros da marginal, sentido Interlagos. Como sempre nessa cidade, para os carros tudo, agora para as pessoas...

“Preserve o Meio Ambiente” é o que esta escrito na placa. Detalhe é a empresa que colocou a placa (OAS) a mesma que construiu o Estilingão.

Preparação para a escalada. Como não pudemos fazer a travessia pela Usina da Traição por questões de “segurança”, resolvemos fazer a travessia por outro ponto, pela antiga ponte do Morumbi. Mas como destruíram os acessos a ela, tivemos que fazer a travessia com técnicas de escalada. Muito mais seguro do que atravessar a usina.

Subida sem proteção para a colocação das guias de segurança.


Primeira etapa concluída, mas ainda falta uma negativa para chegarmos até a base da ponte.

Detalhe da negativa a ser vencida pelos ciclistas.

Instalação da segurança para vencer a negativa.


Vencida!!!

A galera escalando, agora com guia de segurança.

Subindo as tralhas e as Bicicletas. Foto: Macaco Veio

Mais uma etapa vencida, Critical Mass no Pomar!

Garça típica das margens do Pinheiros.

Um dos maiores problemas dessa ciclovia são os acessos, que pode sair até mais caro que a ciclovia em si. Essa ponte é uma excelente alternativa para esses problemas. Assim o governo tem a opção de fazer vários acessos via passarelas, próximos ou não das pontes e algumas travessias apenas do rio. Essa ponte antiga é uma das possibilidades. Bastaria apenas construir rampas que darão acesso a essa ponte. O mesmo pode ser feito junto a ponte da Ceagesp e outras pontes depois da João Dias.

Enquanto as rampas não ficam prontas, a gente se vira fazendo Rapel de bicicletas e pessoas.



Essa é uma pista de manutenção usada por veículos da Emae e da CPTM. É uma ciclovia pronta, apenas com um pouco de tinta e com a construção de acessos ela poderia ser usada imediatamente.

O asfalto é um tapete, nenhuma reforma seria necessária, no máximo a colocação de uma grade separando a linha do trem da pista. Com o tráfego de ciclistas, os veículos de manutenção teriam que ter controle redobrado e velocidade reduzida.
A vida agradece, pois carros lentos significa risco baixo de atropelamento de animais silvestres, além de choques entre eles. Até colisão frontal entre motorizados já ocorreu nessa pista.

Não é uma Utopia, é uma realidade fácil de ser concretizada. Uma parceria com a iniciativa privada poderia resolver a questão das passarelas, caso a desculpa fosse a "falta de dinheiro".

A ponte “Estaiada” mais bonita da cidade. Ponte da Linha Lilas do Metrô que liga o Capão Redondo ao Largo Treze de Maio.

Não é bela?

Mais algo belo para compor o visual.

Carros, infelizmente temos que conviver com eles, mas é possível, pois dentro deles há pessoas e essas pessoas podem cair em si e perceberem que a rua não é somente deles. Compartilhar as ruas é um exemplo de civilidade, infelizmente o Brasil e principalmente São Paulo estão longes dessa realidade. Mas enquanto houver esperança, haverá ciclistas nas ruas, pedalando e esperando que as pessoas se libertem de seus bólidos para virem pedalar com a gente.
André Pasqualini
Veja também:
Uma ciclovia as margens do Rio Pinheiros?
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