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Bicicletada de fevereiro, a caminho dos 4 dígitos
A primeira vez que a Bicicletada de São Paulo alcançou 3 dígitos, cerca de 150 ciclistas celebraram o meio de transporte inteligente e sustentável. Já tivemos bicicletadas com mais ciclistas, em torno de 350 no Dia Mundial sem Carro de 2007 e 200 ciclistas na Bicicletada de Janeiro de 2008. Mas essas bicicletadas ocorreram em dias atípicos, o Dia sem Carro num sábado e a Bicicletada de Janeiro que coincidiu com o Aniversário da Cidade.
A Bicicletada “SEMPRE” ocorre na última sexta feira do mês, concentração a partir das 18:00h e saída as 20:00, na Praça do Ciclista, altura do número 2400 da Av. Paulista. Muitos já sugeriram a mudança para um sábado ou domingo ou um horário mais tarde, mas o principal objetivo da Bicicletada é interagir com o trânsito infernal da cidade, mostrando ao motorista que há uma outra alternativa e que é muito mais agradável um “congestionamento” de Bicicletas do que tradicional e estressante trânsito de carros.
Esse mês comemoramos os dois anos da Praça do Ciclista. Em 2006 percebemos que o nosso costumeiro ponto de encontro, era praticamente ignorado pela cidade. Não havia nem logradouro para indicarmos o local da nossa concentração. Pelo que conseguimos sondar o motivo daquele espaço perdido no meio da Paulista é que eles pretendiam construir uma espécie de “Boulevard” na avenida, com um imenso canteiro central e “apenas” 3 faixas de cada lado para os carros circularem. Mas a sede por espaços que os veículos de 2 toneladas possuem fizeram a cidade mudar seus planos, cedendo em prol do maior devorador de espaços públicos que existe no planeta. Perderam as pessoas, a cidade e a mais famosa avenida de São Paulo, a Avenida Paulista, infelizmente.

Sinalização para que os motoristas que entram pelo buraco saibam que existe uma praça acima deles.
Um dos sentimentos comuns entre os participantes da Bicicletada é uma imensa vontade de retomar a cidade de volta, interagir com ela e mudar o conceito de “público”. Hoje o que é “público é de ninguém”, sendo que o correto seria “o que é público, é de todos”. Então resolvemos adotar aquela praça e a batizamos de Praça do Ciclista, com direito a inauguração e tudo mais. Conforme o movimento da Bicicletada foi crescendo e tomando vida própria, passamos a chamar mais atenção da opinião pública e de alguns políticos. Com base nisso, a Vereadora Soninha apresentou um Projeto de Lei criando a Praça do Ciclista.

Próximo ao Dia sem Carro de 2007, o projeto de Lei foi aprovado na Câmara dos Vereadores e dias depois, sancionado pelo prefeito Kassab, portanto a partir de outubro de 2007 a praça é definitivamente dos ciclistas. Mas se ela existe foi graças a nossa inauguração, portanto, para efeitos de registro, “ela nasceu” em Fevereiro de 2006 mas “foi registrada” apenas em outubro de 2007.

Como todo aniversário tem que ter uma festa, resolvemos convidar diversas celebridades para celebrar o mais inteligente meio de transporte já inventado. Tínhamos políticos, atores famosos, personagens históricos, “celebridades pouco conhecidas”, mas muita gente divertida.

A chuva tentou incomodar, mas nos fez relembrar de como São Paulo era deliciosa quando chamada de “terra da garoa”. Numa época onde não haviam 6 milhões de carros gerando o calor de 3 Termo Elétricas, ou seja, quando nosso clima não era interferido pelos carros ou “progresso”, como alguns gostam de chamar. Época de uma cidade onde as pessoas andavam pelas ruas sem medo de serem atropeladas, ou mesmo porque não precisavam fugir da fumaça e nem do barulho ensurdecedor que o automóvel gera.

Enquanto a Bicicletada desliza pela cidade, é fácil perceber o quanto ela poderia ser mais agradável, nos bares pessoas acenam e levantam seus copos de “chopps” para nós, alguns carros parados no trânsito no sentido contrário buzinam e acenam demonstrando apoio, quando os convidamos a deixar o carro para serem felizes como a gente é comum ver aquele sorriso de lamento, como se quisessem falar “Bem que eu gostaria, mas não posso...” ou “é que estou preso e não sei onde enfiar essa máquina de 1 tonelada”, ou mesmo “É que sou um dependente desse veículo e ainda não sei como viver sem ele”.
Uma das mensagens subliminares da Bicicletada é que há vida depois do pára-brisa e vida inteligente por sinal. Basta sair de seu bólido e realmente se dispor a mudar de vida e tenha certeza que será uma mudança para melhor.

Nós vamos continuar nessa caminhada (pedalada), cada vez em um número maior de pessoas, começamos com um dígito, chegamos a dois, depois a três, agora a meta é rumar aos 4 dígitos. Já fomos, quatro, dez, quarenta, oitenta, cento e cinquenta, duzentos e trezentos e cinquenta. Muitos querem viver num mundo melhor, muitos querem fazer algo para mudar, muitos querem participar dessa mudança. Só tenho uma coisa a te dizer.

Venha também fazer parte dessa mudança, pois aqueles que vieram já não voltam mais.
André Pasqualini
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