É Proibido Proibir. Bicicletário Virtual vai virar real segundo a CPTM

Primeiro recebemos diversas fotos deprimentes da situação dos ciclistas na estação da CPTM em Santo André. Fizemos a matéria, mandamos o link para a CPTM e não demorou muito para eles entrarem em contato para esclarecer a situação.

Disseram que aquelas placas estavam a muitos anos nos gradis e que ninguém se preocupou em tira-las, muito menos os ciclistas se preocupavam com elas, tanto é que prendiam suas bikes sem se importar com as placas.
Segundo a CPTM, eles tem uma política interna de incentivo a bicicleta, tanto é que em “todas” as novas estações da CPTM serão inauguradas com bicicletários instalados. Todos nos mesmos moldes da Guilhermina e de Pinheiros, com controle individual e sem cobrar um tostão sequer.
Dentro dessa política, todas as estações que passam por reformas também terão bicicletários instalados. O problema é que em Santo André não esta programada uma reforma, mas existe uma situação real de grande carência de um bicicletário. Devido a esse fato, fomos receber um representante da CPTM para com a nossa ajuda, definir o melhor local para a construção desse bicicletário.

Em companhia do gerente da estação e o gerente de obras da CPTM, encontramos um lugar perfeito para a instalação do bicicletário, dentro do próprio terreno da CPTM. Uma área coberta onde devem caber umas 200 bicicletas, embaixo do viaduto que passa sobre a estação. Como imaginamos haver uma grande procura pelo bicicletário, é bem capaz que, num curto espaço de tempo, ele tenha sua capacidade esgotada. Nesse caso, é possivel abrir uma passagem na parede interna do espaço para acessar uma outra área onde cabem mais umas 400 bicicletas. Definimos o lugar, agora só depende da CPTM em tocar a obra.




Espaço onde deverá ser implantado o bicicletário
Aproveitei que estava lá para tentar conversar com um dos usuários. Conheci um senhor que vem pedalando de Mauá, todos os dias até a estação Santo André. Segundo esse senhor, ele pedala 40km em cada deslocamento, numa média de 1h30m. Perguntei qual era a sua motivação e ele disse, “Gosto de pedalar, mas o bom mesmo é a economia. Sem a bicicleta eu teria que pegar 3 conduções até o meu trabalho em São Bernardo. Com ela pego apenas uma e economizo R$250,00 por mês”.

Quando lhe disse que a CPTM prometeu construir um bicicletário na estação, de imediato ele perguntou “Vai ter que pagar quanto?” respondi que nada, que o bicicletário terá uma pessoa tomando conta, que o ciclista será obrigado apenas a fazer uma ficha e trazer um cadeado e que nada seria cobrado. Ele deu risada e disse “Dúvido, claro que vão cobrar, até parece que vão colocar um funcionário para tomar conta de bicicleta de peão!”
A maioria das bicicletas que encontramos amarradas no gradil da estação são bem simples. Já que mesmo presa, nem a polícia pode intervir no caso abordarem alguem com uma serra ou alicate, cortando uma corrente. Eles não tem como provar que a bicicleta não é daquela pessoa. Segundo esse ciclista, é comum o pessoal esquecer ou perder a chave e pedir, ou um cadeado ou um alicate emprestado. Já com o bicicletário esse problema será totalmente resolvido.


Naquele sábado contamos mais de 30 bicicletas presas no gradil principal, sem contar as que presenciei em postes nas redondezas. Durante a semana esse número é bem maior. Para a nossa alegria, todas as placas da CPTM, com a proibição das bicicletas já haviam sido arrancadas, sobrando apenas uma da EMTU, junto ao terminal. Mas vamos terminar esse serviço e encaminharmos esse email para a EMTU agora. Vamos continuar acompanhando o andamento desse bicicletário junto a CPTM e ver em quanto tempo teremos mais um motivo para se orgulhar de ser ciclista em nosso estado.


Placa que ainda resiste (por enquanto)
André Pasqualini