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20/10/2009
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Todas as terças eu publico um texto na coluna Seu Destak do Jornal Destak de São Paulo. No final da página há links para todas as colunas já publicadas e aqui, as vezes com algumas imagens. |
Para diminuir o número de mortes nas ruas de São Paulo só mesmo reduzindo a velocidade dos carros
Diminuir a fluidez do tráfego. No momento, essa é a única maneira que eu vejo para diminuir o número de mortes no trânsito de São Paulo. Por isso, gostaria de começar uma campanha direcionada aos motoristas, aqueles que infelizmente acabam ditando os rumos das nossas políticas de mobilidade urbana. Mas por quê? Temos em torno de 1,5 mil mortes por ano no trânsito de São Paulo, sendo que mais da metade são pedestres. Enquanto em cidades europeias 75% dos mortos em acidentes de trânsito são motoristas e passageiros, em São Paulo, esse número é de 18%. Em números totais, ganhamos disparados em todos os quesitos, mas a questão do pedestre beira a carnificina. Temos mais chances de morrer atropelados em São Paulo do que na Faixa de Gaza em guerra.
Medidas simples poderiam reduzir drasticamente esse número. Mas como fazê-lo se as autoridades ainda têm dúvidas do que é mais importante, se a fluidez dos carros ou a segurança das pessoas? Vejam o que disse o nosso secretário de Transportes: "Há um limiar muito tênue entre fluidez e segurança; se aumentarmos a segurança piora a fluidez".
Em Londres e Hamburgo, não há vias urbanas com velocidades acima de 50 km/h. Já em São Paulo, temos rodovias rasgando a cidade. Vejam a avenida Paulista, com limite de velocidade de 70 km/h. Uma via onde circulam diariamente 90 mil carros contra 1,2 milhão de pedestres. Isso mesmo, contra, pois esses limites a tornam uma das vias mais perigosas do Brasil para os pedestres. Em 2007, ocorreram 53 atropelamentos - e esse número só não é maior porque a lentidão colabora.
Essa "ode ao fluxo" nos causa cegueira. Não conheço nenhuma cidade do mundo que compute os quilômetros de congestionamento. Quando ocorre uma fatalidade, temos as manchetes: "Acidente fatal na via tal, que apresenta X km de lentidão". Caramba, uma pessoa morreu! Será que a família dela está preocupada com a lentidão da via? Por isso que quero pedir a você, motorista: diga não à fluidez. Sua opinião vai afetar nossos gestores de trânsito, os mesmos que mandam os agentes da CET priorizarem a maldita "fluidez" em vez de punir motoristas infratores. Mostre que a vida fora do carro é mais importante do que seu tempo de deslocamento. Se reduzíssemos a velocidade máxima das vias urbanas para 50 km/h, esse número de 1,5 mil mortes cairia pela metade. Sim, a vida de quem vive fora dos carros está em suas mãos. Diga não à fluidez.
André Pasqualini
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