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13/10/2009
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Todas as terças eu publico um texto na coluna Seu Destak do Jornal Destak de São Paulo. No final da página há links para todas as colunas já publicadas e aqui, as vezes com algumas imagens. |
Fim da fiscalização trouxe de volta a alegria dos donos de bar, e também medo e tensão para ciclistas, motoristas e pedestres
Quem usa só a bicicleta como meio de transporte tem uma visão de cidade muito diferente da maioria. Sim, ainda somos poucos, pois a maioria só enxerga a cidade de dentro do carro ou da janela do trem ou ônibus.
Pedalar pela cidade é muito bom, principalmente com poucos carros. Como tenho hábitos corujas, geralmente me vejo voltando para casa depois da meia-noite. Durante a semana é uma maravilha, mas nas madrugadas de sextas e sábados...
Participo das Bicicletadas (que ocorrem na última sexta de cada mês), desde 2006. Depois sempre rola uma confraternização e meu retorno nunca é antes da 1h da manhã. A volta sempre era um pavor: motoristas cantando pneus, andando a 70 km/h numa via onde a velocidade máxima é 30 km/h. Tinha de pedalar com olhos até na nuca. De repente aparece uma tal de "lei seca" e a situação muda da água para o vinho.
Incrível, mas não tinha mais motoristas jogando cerveja em ciclistas e pedestres, finas, velocidades de autoestradas em vias com semáforos. A cidade de São Paulo, que já era agradabilíssima para pedalar de noite, ficou mil vezes mais agradável. Pena que durou pouco.
O tempo passou, a fiscalização não existe mais. Tem até site, DJs e donos de bares informando quando há blitz, tudo isso para que seus consumidores bebam à vontade e possam barbarizar na volta pra casa.
Um amigo meu, num domingo de manhã, quando chegava ao seu trabalho na Vila Olímpia, ali na Funchal, viu um motorista num Audi, perdendo o controle numa curva, vindo em sua direção. Ele tentou saltar para a calçada, conseguiu, mas o motorista acertou sua roda traseira. O motorista fugiu, e o ciclista, por sorte, não sofreu nada de grave, apenas sua roda ficou destruída.
Como não tinha como arrumar a bicicleta, nem dinheiro para a condução, ia a pé 13 quilômetros até o trabalho e voltava de trem, até conseguir os R$ 50 para arrumar sua roda, depois de um mês. Aliás, esse deve ter sido o valor que aquele motorista do Audi gastou em alguns drinks.
Apesar de o aparente fim da lei seca ter trazido de volta a alegria dos donos de bares, trouxe de volta também o medo e a tensão não só para os ciclistas, mas também para os motoristas e os pedestres nas calçadas ou em ponto de ônibus, já que dificilmente esses bêbados se matam sozinhos; isso quando não são os únicos sobreviventes.
André Pasqualini
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