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Amsterdã,
uma cidade que se move sobre duas rodas
Texto e fotos por Pablo
Dias (www.modestiazero.com).
Pablo tem 23 anos, é carioca, designer gráfico
e se locomove pelo Rio de Janeiro de bicicleta desde 1994.
Estive
na Europa em julho e agosto de 2004. Visitei várias
cidades, entre elas Amsterdã.
Amsterdã é uma cidade apaixonante! Digo
isso por várias razões: a receptividade
dos nativos, a beleza da sua arquitetura, a tolerância
que todos mantém com os hábitos, crenças
e estilos dos demais... e também pela tradição
do transporte por bicicletas. Para quem gosta de se
locomover pela cidade de bicicleta como eu, estar em
uma cidade como Amsterdã é como estar
na cidade perfeita. Ainda mais quando se tem uma bicicleta
para se pedalar, como foi meu caso em boa parte da minha
estadia de 10 dias por lá.
As
bicicletas são parte fundamental da identidade
holandesa. Ela está no cotidiano da grande maioria
das pessoas, e isso é uma das primeiras coisas
que se percebe ao se desembarcar lá. Há
ciclovias em praticamente todas as vias urbanas (logo,
os ciclistas lá não são forçados
a dividir o espaço com os carros). As pessoas
pedalam para ir à escola, ao trabalho, ao bar,
ao parque, à boate. São tão comuns
ciclistas jovens quanto velhos, sejam homens ou mulheres.
Eu estive em Amsterdã no verão, porém
me disseram que nas outras estações as
bicicletas existem da mesma forma (todos têm experiência
de pedalar de casaco ou capa ou ainda segurando o guarda-chuva
em uma das mãos).
Depois
das bicicletas, os meios de locomoção
mais usados são o tram (um trem de superfície),
ônibus, carros e barcos. Devido a essa variedade,
as vias urbanas são muito peculiares, com suas
calçadas, passeios, ruas, ciclovias, ciclofaixas,
trilhos e canais (!), ora se cruzando, ora fluindo paralelos
uns aos outros. Há sinalização
específica para cada meio de transporte (por
exemplo, semáforos distintos para pedestres,
bicicletas, tram e carros). Alguns poucos guardas de
trânsito advertem e punem os infratores, mas na
maior parte do tempo a ordem se mantém muito
mais pelo hábito e cultura dos indivíduos.
De
certa maneira, bicicletas em Amsterdã têm
o mesmo papel que os carros têm no Brasil. São
indispensáveis ao dia a dia da maioria das pessoas.
Todos já tiveram algumas de suas bicicletas furtadas
(por isso, em geral troca-se de bicicleta dentro de
um ano). Há um mercado negro bem poderoso.
Porém,
ao contrário dos carros aqui, lá não
há uma legislação muito rígida
sobre o uso das bicicletas. Por exemplo, alguns andam
com capacete, mas não é um ítem
obrigatório; não há nenhum tipo
de identificação como as placas que usamos
nos carros aqui.
Nos últimos três dias da minha estadia,
consegui uma bicicleta emprestada com um amigo nativo.
Assim pude viver um pouco da rotina de um morador que
usa sua bicicleta para se locomover pela cidade. E foi
fantástico!
Pedalar
para mim é sempre um prazer. Nesse caso, foi
uma satisfação ainda maior, já
que eu estava em um ambiente em que todos os tipos de
transporte são admitidos e previstos. Há
uma organização que me permitia relaxar
e curtir muito mais o passeio. Em nenhum momento tive
de me preocupar com o risco de ser atingido por um carro
(embora nas vias mais movimentadas, tive sim que atentar
para não colidir, mas com outras bicicletas).
Pude conhecer essa cidade linda de uma forma vívida,
interagindo totalmente com as ruas e as pessoas como
se estivesse caminhando, ao mesmo tempo que atravessava
grandes distâncias como se estivesse motorizado.
Essa
experiência em Amsterdã me fez, em primeiro
lugar, ter ainda mais consciência da defasagem
que o Brasil possui em relação a esses
países mais avançados social, econômico,
político e ambientalmente. Porém, ter
conhecido essa cidade sobre duas rodas também
me incentiva a sonhar e acreditar que as as cidades
brasileiras podem dar um passo rumo a uma melhor qualidade
de vida, adotando as bicicletas como solução
de transporte individual.
Se você tem amigos ou mora fora do Brasil e quer
mandar seu relato, mande uma mensagem para ciclobr@ciclobr.com.br. |
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